Era um domingo. Meus olhos se encheram de lágrimas quando fui levada, em pensamento, a analisar o meu coração. Ele ainda estava firmado naquilo que Deus havia me entregado há mais de uma década?
A empresa que eu e meu marido temos a honra de dirigir foi fruto de muitas orações, numa época em que nossos salários não cobriam o custo de vida em São Paulo — uma das cidades mais caras do mundo. Para além disso, havia o sonho de eu poder viver a maternidade mais de perto, o que era inviável na rotina de uma típica trabalhadora paulistana.
Deu certo. Os caminhos foram de Deus, e Ele mesmo fez fluir todas as coisas, até o ponto em que pedi demissão da empresa para a qual trabalhava e assumi a vida de jovem empresária.
Na nossa jornada houve muito crescimento e muitas conquistas. E, como é óbvio, nem tudo foram flores. Em meio a desafios e crises do dia a dia, meu coração foi se afastando. Não apenas da empresa em si, mas, principalmente, do propósito de Deus com a empresa e com a nossa família.
A percepção de quão perto ou longe meu coração estava foi essencial para a restauração que tanto desejávamos. Veio a sede de buscar ao Senhor e, dentre as estratégias do céu, a direção de trazer à memória tudo o que um dia nos deu esperança: o amor do Senhor e as Suas direções.
A escrita foi essencial nesse processo, pois permitiu organizar pensamentos e sentimentos, resgatar o propósito do início, definir ações e sonhar com o futuro.
Voltar ao lugar onde tudo começou trouxe-me um quebrantamento intenso. Lembrei-me das ideias que surgiram no passado por meio de conexões improváveis, das oportunidades, do esforço do meu marido para me liberar a algo novo, com mais flexibilidade para ser uma mãe presente, e da esperança financeira que Deus nos deu. Reconheci que tudo veio do Senhor e que, no meu caso, não era o fim. A paixão no meu coração — pelo propósito, e não apenas pelo resultado material — reavivou a chama em mim. O ânimo voltou.
Mas você pode estar se perguntando: como, de forma prática, reacender o coração por algo que permanece, mas perdeu o brilho?
Foi nesse lugar de oração que o Senhor me entregou um caminho simples, que pode ser adaptado a qualquer área que esteja “parada ao meio”: pessoal, profissional, financeira, ministerial ou espiritual.
Faça esse caminho, não sozinha, mas nos braços do Pai.
Palavras escritas para hoje:
“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança. As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim; renovam-se cada manhã. Grande é a tua fidelidade. A minha porção é o SENHOR, diz a minha alma; portanto, esperarei nele.“
Lamentações 3:21-24
Escreva para viver melhor:
1. Volte ao lugar onde tudo começou
Escreva como esse projeto, empresa, ministério ou sonho nasceu.
- Quais foram as primeiras orações?
- Que dores te motivaram a começar?
- Que sonhos você carregava junto com ela?
- Que promessas você sentiu que vinham de Deus?
Voltar à origem com sinceridade nos lembra o porquê de tudo.
2. Reveja sua motivação atual
Muitas vezes, o que causa desânimo não é o projeto em si, mas o modelo, a rotina ou as cobranças excessivas.
- Há algo que está te esgotando?
- O que você gostaria de mudar na forma viver esse projeto?
- É necessário um novo posicionamento, uma nova estrutura?
Talvez Deus queira renovar não só seu ânimo, mas a própria estratégia do projeto.
3. Separe o problema do propósito
Liste os principais desafios atuais.
- O que te faz querer fugir ou parar?
- Quais problemas são práticos e podem ser resolvidos com ajuda?
- O que está pesando no seu coração que não tem a ver com o projeto em si?
Essa clareza evita que você desista de algo vivo apenas porque há pontos doentes, que podem ser tratados.
E por fim…
4. Ore.
Entregue tudo ao Senhor e escreva uma carta a Ele sobre todos esses pontos. Escreva-os com detalhes. Abra o seu coração com verdade. Diga o que sente. Peça direção e coragem. Não é sobre voltar ao passado, mas sobre se reconectar com o que ainda pulsa, porque Deus ainda está aí.